Buraco das Araras: entre a lenda do meteorito e o abismo de 200 mil anos
Em Jardim, a tradição oral explica a cratera do Buraco das Araras como impacto de meteorito ou até de um OVNI; a ciência aponta um colapso geológico de cerca de 200 mil anos.
Há lugares que se visitam com os olhos e outros que se visitam com a imaginação. Em Jardim, o Buraco das Araras é dos dois tipos: uma cratera circular que se abre na paisagem e que, antes de qualquer explicação científica, já foi contada e recontada por quem conhece a região.
A pedra que teria caído do céu
Conta a tradição, entre antigos guias e moradores de Jardim, que a cratera circular do Buraco das Araras teria nascido do impacto violento de um meteorito. Segundo a lenda, houve ainda quem fosse mais longe e atribuísse o abismo à queda de um OVNI — histórias que atravessaram gerações e ajudaram a construir o mistério em torno do lugar.
O que a ciência explica
Cientificamente, o Buraco das Araras é outra coisa — e não menos impressionante. Trata-se de um colapso geológico cárstico ocorrido há cerca de 200 mil anos, provocado pelo desmoronamento de uma caverna subterrânea em rocha arenítica e calcária. É a natureza, portanto, assinando uma obra de escala monumental.
A fazenda e a reserva
A Fazenda Alegria, onde fica o Buraco das Araras, foi comprada em 1986 pelo pecuarista Modesto Sampaio e transformada na RPPN Buraco das Araras em 2007 — um capítulo recente na longa história do lugar.
O abismo que a memória também cavou
Entre peões e sitiantes da região de Jardim circulava outra narrativa, bem mais sombria: a de que o abismo do Buraco das Araras era usado por pistoleiros e fazendeiros influentes do século XX para desovar carcaças, desafetos e desafortunados da fronteira. Segundo a lenda, o silêncio da cratera guardaria segredos que nenhuma pedra conta.
Águas azuis de fundo desconhecido
O mistério, em Jardim, não se limita ao buraco. A Lagoa Misteriosa é uma dolina inundada de águas azuis com profundidade máxima ainda desconhecida pela ciência; mergulhadores já mapearam mais de 220 metros de coluna d'água — e o fundo segue em aberto. Entre o que a tradição inventa e o que a terra revela aos poucos, a região segue convidando o viajante a olhar para baixo com curiosidade.