Antofagasta: do ato boliviano de 1868 à ocupação chilena de 1879

Fundada por decreto da Bolívia em 1868, Antofagasta viu tropas chilenas desembarcarem em 14 de fevereiro de 1879, dando início à Guerra do Pacífico.

O governo da Bolívia, presidido pelo general Mariano Melgarejo, formalizou a fundação do povoado de Antofagasta por ato oficial em 22 de outubro de 1868. A comissão que formalizou a fundação foi liderada pelo prefeito boliviano de Cobija, José R. Taborga, acompanhado do promotor fiscal Abdón Senén Ondarza.

O nome e suas raízes

Foi o próprio presidente boliviano Mariano Melgarejo quem atribuiu o nome «Antofagasta» à aldeia, em referência à região de Antofagasta de la Sierra, na Puna de Atacama (atual Argentina), onde sua família possuía terras. Outras explicações, porém, atravessam o tempo: segundo a tradição oral divulgada pelo folclorista Oreste Plath, o nome derivaria do termo cacán (diaguita) Katufayagasta — katu = grande, faya = salar e gasta = povoado —, ou seja, «Povoado do Salar Grande». Conta ainda a tradição que «Antofagasta» teria raiz quéchua em Anta-pakay: anta = cobre e pakay = esconder, significando «Esconderijo do Cobre».

O estopim de 1879

O presidente boliviano Hilarión Daza rescindiu contratos e ordenou para 14 de fevereiro o leilão público dos bens da CSFA, devido à recusa em pagar um imposto de 10 centavos por quintal de nitrato — ato que violava o tratado de fronteiras de 1874. Na manhã de 14 de fevereiro de 1879, 200 soldados do Exército e da Marinha do Chile, sob o comando do Coronel Emilio Sotomayor, desembarcaram dos navios Blanco Encalada, Cochrane e O'Higgins e tomaram a prefeitura das mãos do prefeito boliviano Severino Zapata, sem confronto bélico imediato. A ocupação chilena de Antofagasta naquele dia deu início à Guerra do Pacífico.

O cais por onde passaram as tropas

Foi no Muelle Salitrero Melbourne Clark que as tropas chilenas desembarcaram em 1879. O cais foi declarado Monumento Histórico Nacional pelo Ministério da Educação do Chile por meio do Decreto Supremo nº 980, de 12 de setembro de 1978.

Prata, ruínas e memória

No setor sul de Antofagasta, a Compañía Huanchaca de Bolivia edificou entre 1888 e 1892 uma planta industrial metalúrgica para refinar os minérios de prata de Pulacayo. Os muros remanescentes das Ruínas de Huanchaca, com 44.372 m², foram tombados como Monumento Histórico Nacional pelo Decreto Supremo nº 9, de 7 de janeiro de 1974.

A Torre-Relógio da Plaza Colón, por sua vez, foi doada à cidade pela colônia britânica residente em Antofagasta em homenagem ao Centenário da República chilena (1910) — um lembrete de que a história da cidade se escreve em camadas, entre atos oficiais, lendas de sal e cobre, e as marcas de uma guerra que começou em seu próprio porto.

Fontes

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